El grande hermano…

GabyeJuninho

Ó, quando a Minha Mãe chegar a gente fala que a parede rachou por causa de um terremoto
-Mas minha cabeça tá sangrando..
-Cala a boca e escuta!

Bateu saudade. Bateu! Sábado ocioso é assim. Várias coisas podem acabar passando pela sua cabeça. Você tá se divertindo até um certo ponto com o fato de estar em casa…durante a tarde tem o Luciano Huck…daí vai chegando a noite e você descobre que pode ficar trágico…na Tv? Zorra Total, Ui! Medo!

Olhando com uma amiga algumas comunidades do orkut, (isso pode arrancar uns risos de você, acredite), ela me mandou uma comunidade com bastante coerência de acordo com a minha história de vida familiar infato-juvenil.

De todas as milhares de coisas que sinto saudades da minha infância, em disparado sai as BRIGAS HOMÉRICAS COM MEU IRMÃO! Me desculpem os filhos únicos, mas não há nada melhor do que ter um Irmão(ã). Quando se é criança, não dá pra ter muita dimensão do bem que “aquela pessoa” ali te faz. Você só consegue olhar pra ele/ela como uma ameaça que a todo instante teima em querer invadir o seu país(sua Mãe) e conquistar espaços, dividir presentes e atenções.

Minha mãe sabia bem como baixar minha crista quando eu era aquela criança pavorosa. Nem tô falando dos safanões. Era verbalmente que o meu sofrimento se solidificava…assim: “Filho, pegue na mão de sua irmã até chegar na Escola tá? E na hora do recreio vá com ela na Cantina e veja o que ela quer lanchar”. Eu ficava horas me perguntando: “Por que eu não posso ir do lado dele sem pegar na mão? Por que eu não posso ir comprar meu lanche sozinha? Só por que eu tenho 4 anos???”

Dividíamos o mesmo quarto, passávamos tardes e tardes ali dentro competindo pelo espaço entre as camas, porque era o melhor pra brincar. Na hora do lanche eu ia na cozinha escondida e abria o pacote de biscoito na área de serviço(pra ele não ouvir), mas não adiantava…já repararam como a audição dos irmãos/ãs é aguçada? No banho, eu ia numa boa, mesmo quando minha mãe me chamava pra subir na melhor parte da brincadeira…mas ele? Ele não. Subia contrariado e pra terminar “fingia” que tava tomando banho. Foi a única vez que vi o “safadinho” apanhando. HAHAHA, Minha Mãe bateu com gosto. Não, não que eu não tenha um bom coração. Mas vê-lo recebendo um corretivo da Mamis era tão raro, que me dava uns instantes de risada garantida. Meu irmão era tão perfeitinho e eu? Eu, tão imperfeitinha. Apanhava de manhã, de tarde e de noite. Por um tempo eu nem sabia mais o motivo. Só pensava que se Minha Mãe tava fazendo aquilo, ela tinha os motivos dela. O que me restou foi a resignação(DRAMA).

O mais esplêndido momento, foi quando ele virou o jogo em favor próprio. Eu aprontava meu horrores e ele passou a negociar comigo, coisas do tipo: “Vá pegar minha toalha de banho, senão eu conto pra Minha Mã… Deixe eu assistir Dragon Ball senão eu conto pra Minha Mã…Me dê o último gole da Coca-cola senão…” Era uma prática de tortura que me reduzia a pó. Nossa progenitora ficava sóoooo…observando e tendo certeza que pra tanta subserviência da minha parte havia algo de errado ali. Sometimes, eu preferia “me entregar” era muita humilhação ceder àqueles favores…outras vezes a Mamis fazia justiça com as próprias mãos.

No início da adolescência, nosso “conviver” tornou-se tão insuportável, que fomos separados da Escola por turnos. Eu pela manhã, ele pela tarde. DEU CERTO! Isso até poderia ir para um daqueles livros de auto-ajuda: “Faça dos seus filhos cúmplices um do outro”. Começamos a descobrir uma amizade. O fato dele “cuidar de mim”, já soava legal, era uma proteção que me fazia bem. O nosso carinho tornou-se mútuo e daí não parou mais. Eu colocaria a nossa Mãe num daqueles rankings de “Eu criei meus filhos com sucesso” com o maior orgulho. Por que, como é que depois de tantos anos brigando, disputando com ele a atenção dela, fazendo questão de cada metro quadrado daquela placenta…ela conseguiu nos unir?

Nesse sábado chatíssimo o que eu mais desejei foi dividir o quarto com o meu Irmão e brincar com ele de “Guerra de Pé”. Seguindo a ordem cronológica da coisa, nossa Mãe entraria no quarto e diria: “Estão brincando disso de novo né? Pois vou logo avisando, o primeiro que chorar vai cair na porrada”. Um cartão de crédito No Limits, pra quem descobrir quem saia do quarto chorando.

Não que Dona Helena resolvesse tudo na PORRADA, mas olha, era um método que com a gente deu muito certo. Tanto, que hoje me invadiu uma enorme saudade desse tempo…Dessa “aurora da minha vida”, dessa “infância querida”…

Alguém me arranja uma passagem pra 1990…outra pra 1997, com pôsters dos BackStreet Boys na parede e a farda da Escola na primeira parte do guarda-roupa. Um quarto com duas camas. De um lado Barbies e mais Barbies…do outro Comandos em Ação e Legos por todo canto. Brigada!

Tô aqui admitindo pro mundo: IRMÃO, EU TE AMO INFINITO!

Sintam-se à vontade pra fazer o mesmo PELOS SEUS!

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rel=1&cmm=28913485&failed=true

Anúncios

Interrogação?

a_juventude_pode_mover_o_mundo

Eu tava prestes a me jogar na cama pra tirar o sono dos justos, mas tinham tantas ideias, questionamentos, músicas, lembranças, zanzando pela minha cabeça que o melhor que eu fiz por mim, foi correr pra cá.

Combinando um final de semana com umas amigas, aguardando a chegada do São João com outras, me veio um daqueles pensamentos bem nada a ver cheios de filosofia de botequim: Pra que é que serve a juventude?

A primeira coisa que veio a mente para responder a essa pergunta foi: “Pra quê que serve??? Para sermos irresponsáveis, é claro!”. Mas tenho visto que não é bem assim que a banda toca. É claro que algumas atitudes, dúvidas e desmantelos fazem parte da nossa essência…daquela coisa do “ser jovem”: Pensar que é imortal, que o que aconteceu com o filho do vizinho nunca vai acontecer com você, achar que não vai conseguir se formar, planejar virar hippie se nada der certo, pagar sem pena mais de 100 paus numa camisa pra uma festa que dura 12 horas e bla bla bla. Mas acontece, Meus bonitos, que os Jovens estão tendo que aprender cada dia mais cedo a “se virar”.

Construir a vida que você planejou/planeja exige disciplina, concessões, muito choro e vela, cara enfiada no livro, quarto de pernas pro ar e SEMPRE grudar na cabeça que você não pode parar. Caso aconteça, fique avisado desde já que alguém vai acabar te superando e mesmo com o buzú em movimento pode conseguir sentar na janelinha.

Trabalhar e estudar não é tarefa das mais fáceis. Mas quer ver satisfação? Ganhe seu próprio dinheiro, ensaiando logo logo como será sua vida no futuro próximo calma, vai ser um pouco pior. Esse lance tá um tanto novo pra mim. Eu surtei. Isso também pode acontecer com você. É um medo que te impede de raciocinar. Enxergar que você terá uma vida desgarrada da vida dos seus entes queridos, dói. A vontade que dá é de colocar uma venda nos olhos, correr pros braços da Mãe e pedir colo. Claro…colo! Afinal de contas, foi ali que sempre depositamos toda a nossa segurança.

A juventude me manda dançar a música do momento, estar ao máximo com os meus amigos, falar e aprender milhares de gírias, falar 10 palavrões para cada 11 palavras, comer sem me importar com a balança e usar saias curtas enquanto não tenho filhos para buscar na Escola. Só que essa mesma juventude me deixa com receio de ser uma garota apática. Minha geração não gosta de questionar e se revoltar contra o sistema, ou é impressão minha?

Vejo meus alunos combinando de se falar pelo Orkut, pelo Msn…eu faço o mesmo com os meus amigos…mas durante a minha vida escolar não dávamos o menor ibope pra internet, não era tão popular. À tarde basicamente marcávamos pra estudar mentira e depois comer pipoca com Pepsi assistindo Malhação, quando Malhação ainda era Academia, ou quando o Múltipla Escolha era novidade. Velhos tempos, belos dias!

A juventude serve pra que possamos fazer tudo o que aos 30 ficará feio pra nossa imagem? É isso? Ela tem o intuito de nos mostrar que FAMÍLIA é um bem maior, mas que não há jeito, você precisa ampliar aquele ciclo e gerar uma nova família, adquirir bens materiais, ser reconhecido no que estudou para sua profissão etecétera e tal?

Eu queria mesmo era um Manual de Instruções, para aprender a lidar com esse troço. No manual, POR FAVOR quem o fizer coloca mais ou menos o seguinte: “Se desgarrando da barra da saia da Mãe”; “Aprenda a cozinhar chorando”; “Como matar uma rã com um quilo de sal”; “Lavando roupa em 10 minutos”; “Afastando-se dos amigos jamais, MSN existe” e o principal “Aprenda com os seus erros”.

Para os 30 anos, ainda me faltam 7. Sei que a maturidade e a velhice sào inevitáveis pra quem vive, não sou uma jovem transgressora, protestante radical xiita…mas também não corro o risco de aos 60 tornar-me uma Copélia. Com a idade que me encontro parece difícil definir PRA QUE SERVE A JUVENTUDE, mas pretendo responder a essa pergunta daqui uns anos…e tenho certeza que a resposta terá mais destreza e mais pontos de continuação ao invés de interrogação. Tô dormindo e acordando day after day em prol disso.

Agora…deixando o que é do futuro para o futuro…aproveitarei que não tenho filhos para alimentar e cairei na gandaia com as minha amigas, no estilo: “Extravaaaaaaaaaaaaasa, libera e joga tudo pro ar”…puro e simplesmente porque eu “quero ser feliz antes de mais nada”.

É MICARETA na terra do “Bira”(Jô Soares)… Vamo que vamo!