Vamo dançar?

“Numa tarde bem tristonha, gado muge sem parar. Lamentando seu vaqueiro que não vem mais aboiar, tão valente a cantar tengo lengo tengo lengo tengo…”

   Voltando a citar Luiz Gonzaga por um motivo muito simples e aguardado por todos nós: São João tá chegando Galeeeera!!! Para ilustrar essa data que eu tanto amo, trago uma versão 2.0 do texto: “Trilha Sonora”.

   Partindo do princípio de que “vida deveria ter trilha sonora”, para aqueles que são amantes da festa Junina como eu, o que não faltam são músicas para registrar esse momento.

   Na primeira vez em que pude ir ao “Arraiá”, sem os meus pais, mas na cia de meu irmão e de um divertido grupo de amigos, Mastruz com Leite era uma verdadeira febre! O ano? 1999. Mel(que só conheci em 2004), trocando figurinhas em um de nossos divertidos papos, concordou…”A” música era: “Maria tá peneirando…goma e massa de mandioca…quem se casar com Maria, só vai comer tapioca, tá tá tapioca…”. Essa marcou! Só que no ano seguinte a canção que não me saía do ouvido era: “Morena faceira do cabelo cacheado, seu laço de fita já laçou o meu olhado…e agora, e agora eu quero ser seu namorado”.

   Mas o tempo foi passando…e “Mastruz”, deixou de ser o último gole de licor da garrafa, dando espaço ao meteórico sucesso de Calcinha Preta! E não venha me dizer que num curtia não “vú”!!! Era uma coqueluche! Hein, Piu? “Fã da banda Calcinha Preta declara seu amor e vira manchete nos Jornais: Não…não posso tomar essa decisão…”. Quantas vezes repetimos essa frase amiga? É nessa que entra ninguém menos que Limão com Mel…acústico, de preferência. Quem não cantou: “…senti no peito o amor surgir, quando olhei pra você, eu logo senti que o meu coração ia ser todo seu pra sempre…”.

   Forró do Bosque…AAAh…é muita trilha! São quase 9 anos de festa e quem pegou Chiclete com Banana por lá…já dançou Quadrilha ao som de: “Você vacilooooou, você vacilou…enquanto a espiga de milho não assa, vem brincar de balão beijo, brincar de balão…”. É um estado de espírito, recomendo!

   Meu lado saudozista não podia me deixar nessa hora. 2003! Ensaios da “Sarapatel com Pimenta”…Afic reunido e cantando: “Eu não preciso de você, o mundo é grande e o destino me espera, não é você quem vai me dar na primavera, as flores lindas que eu sonhei no meu verão…”. Mas Taty…que sensação era aquela com: “Amor, aparece e me diz como está e acalma essa dor que maltrata com a gente, ninguém te amará como eu te amei…”. 2004? “Ele tomou um banho de água fresca, no lindo lago do amooooor, maravilhosamente clara água…”, Alcimar Monteiro no palco e a gente gritando lá em baixo, as 5 devidamente abraçadas! 2006…Só que na cia de Lú, Dani e Déa não dava pra se conter quando tocava: “Toma gostosa lapada na rachada, você pede e eu te dou lapada na rachada e aí…”…O que era aquilo? Hehehe…

   “E o céu, e o mar…se parecem com você a brilhar…nos seus olhos eu vejo estrelas no teu sorriso eu vou me lambuzar de baton…”Saia Rodada ou Aviões “Buruguduburugudú katizkiririguidoW…Bora Riqueeeeeeeeeeeelme”!!! O importante era, não só saber cantar todas as músicas, mas também imitar cada vinheta ou brincadeira que tinham nelas!

   Para minhas amigas baixinhas sempre vou dedicar Santana: “Ela era miudinha, botei seu nome tamborete de forró…”. Pra uma amiga parceira, tipo Dani Lopes: “Se você quiser vai ser assim yeah yeah yeah, me ame mas me deixe livre…”, íamos ao delírio hein Danizita? Êvo Gama…deixe-me ver…são tantas…mas tem o “tok” do celular: “É Caçuáaaaa de Amendoim…quando você passa e não me olha…me dá um beijo faz cafuné, que eu tô ficando doidin lelé…”. Pra Josy e Kk (qualquer uma…desde que seja cantada pelos Menino de Seu Zeh)! Com direito a dancinha e tudo: “Eu tu tu e Eu (tan tan), de frente pro mar”!!!

   Esse ano, já tenho uma prévia do que devo repetir mil vezes naquele “Sumaúma”…as memoráveis: “Na sua boca eu viro frutaaaaaaaa”… “Mas se você me provocou agora experimentaaaaaaaa”…tem que aproveitar…porque ano que vem elas irão se transformar apenas em lembranças! Boas lembranças de mais um São João em Cruz das Almas! Vamo tocar Espada? Vamo dançar? Vamo ver se “São João passou por aí”?

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Contando Carneirinho…

  

  

   Numa noite fria, na companhia de uma indesejada TPM e da vontade irremediável de não fazer nada…assitindo a derrota da “seleção Canarinho”, pra Venezuela…eis que sobe uma janelinha do meu Msn, avisando que ninguém menos do que Minha Mãe tinha acabado de entrar.

   Tirando toda aquela história de que “mãe”, no orkut ou no Msn é um barato…o fato é que, eu não poderia querer outra pessoa do outro lado da tela senão, ela! A janelinha que subiu, nada mais foi do que um portal, para uma viagem ao túnel do tempo! Um tempo não tão longe! Mais ou menos 1989 – 1997, quando lembro que por ser tão agitada, pra não dizer uma peste, tinha insônia! Esse mal me acompanha até hoje…mas com algumas diferenças! Posso recorrer a um livro, ao meu blog, a Tv (essa eu dispenso só tem coisa chata de madrugada, depois do Jô) ou ao Msn!

   A conversa começou com tom de saudade, visto que não moramos mais juntas pelas circunstâncias da vida (meus estudos)…e logo vieram com as declarações explícitas de amor, AS LEMBRANÇAS!

   Escuto sem querer diversas vezes a seguinte frase: “Você era terrível Helena Gabrielle”, martelando no meu ouvido! Levando em consideração a história de que “chamou pelo nome completo, já era…A casa caiu pai”, os gritos de Minha mãe eram horripilantes, partindo do pressuposto de que eu era realmente “terrível”. Ela tinha vinte poucos anos, abriu mão da sua vida por mim, e se desfez dos seus planos ( ao contrário daquela música). A sua vida dependia/depende da minha vida e da de meu irmão. A sua felicidade só era/é completa se nós estivéssemos/estivermos felizes. Talvez eu só reconheça a importância disso quando for mãe…mas já percebo algumas coisas.

   Com os meus “2 Patinhos na lagoa” e com planos para o futuro, com a família que tenho, com os meus amigos, percebo claramente que a Oração que repetia ajoelhada com meu irmão todos os dias antes de dormir teve algum fundamento…era assim:

“Querido Deus, gosto muito de você. Gosto do papai, da mamãe…Gosto dos meus irmãos e de todos os meus amigos. Deus, obrigado pelos brinquedos, pela escola, pelas flores, pelos bichinhos e por todas as coisas boas e bonitas que você fez. Quero que todas as crianças conheçam e gostem de você. Obrigado Deus, porque você é muito bom!”.

   Se depois dessa oração o sono não viesse, Minha mãe deitava na minha cama (porque se deitasse na de meu irmão eu fazia um escândalo), e lia “O menino do dedo verde”…só que eu continuava dizendo que não tava com sono…era quando ela apagava a luz e me mandava “contar carneirinho”! Eu só lembro até o trigésimo…

   De todas as lições que posso tirar de Minha Mãe, a que me veio na memória agora foi de que, uma boa infância, pode ser decisiva na vida de qualquer pessoa, claro que, existem relativizações. Acreditei em Coelhinho da Páscoa, Papai Noel, Fadinha do Dente e sei lá mais o quê, que ela inventava pra tornar a minha fase de criança mágica! Não sei definir se sou “jovem” ou adulta…mas já consigo reconhecer alguns valores e já sei que quando tiver uma família, formada por mim, tenho uma noção muito clara de como agir para ser amada pelos meus. Basta lembrar da minha “imagem e semelhança”. Nós duas não somos só “cara de uma e focinho da outra”…é um amor que transcende, que tô tentando descrever desde o início do texto e só agora percebi que é impossível.

   O programa do Jô, daqui a pouco termina…e como tô sem sono vou ler um livro, se não for suficiente…Mãe: vou contar carneirinho, tá?! Hehehe!

Física Quântica?

 

  Se existe algo que escuto com frequência é a seguinte afirmação: “Falar Português é muito difícil”, ou ainda, “tenho medo de postar comentário no blog e cometer algum erro de português”.

   Vamos por partes. A língua que você aprendeu ao balbuciar as primeiras palavras na sua vida foi a Língua Portuguesa. A partir desta fase: 1,2,3 anos você foi desenvolvendo a sua linguagem, articulou melhor as palavras ao conviver no seu círculo familiar e finalmente chegou à escola. É nessa Instituição, com o perdão da palavra, que F… tudo! Vou explicar por que…

   Ao ser alfabetizada, na altura dos 5 – 6 anos de idade(umas com mais facilidade outras nem tanto), a criança passa a enxergar que a sua existência é ilimitada com a descoberta da leitura, ela se torna um pouco mais independente. Vai querer ler de revista em quadrinho à bula de remédio…sem falar que tudo o que estiver escrito pelos muros da cidade chamará a sua atenção! Eu, por exemplo, certa feita passeando com os meus pais, eu tava aprendendo a ler… tal, o carro parou um minutinho no sinal vermelho…eu não hesitei em observar o muro ao lado e soltei em voz alta: %$#@!*&:?> na %$#@!$$*… Alguém já deve ter passado por situação semelhante.  Galera… as palavras foram tão pesadas que Minha Mãe deve ter ficado com uma arritmia cardíaca na hora e Meu Pai mudo. Na tentativa de não me traumatizar, Minha Mãe na sua incontestável sabedoria falou: “Minha filha…mamãe sabe que você já está lendo direitinho, mas é preciso ter cuidado. Leia, pense no que está escrito e só depois fale em voz alta”. Entendi a mensagem dela, por que me dei conta só depois, que tinha dito algo muito feio.

   Com a descoberta da leitura, as fábulas tornam-se mais interessantes, visto que a visão de quem lê é diferente da visão de quem apenas escuta. Acontece que, com o tempo a Escola vai te mostrar que a palavra que conhece, fala, desenha, sente ou imagina, terá um nome específico para designá-la: Substantivo! A criança, terá pesadelos horrendos com um monstro chamado: “Classes Gramaticais”.  Dependendo da maneira como o indivíduo foi apresentado a este “monstro”, o dano pode ser irreparável. Assusta da infância até a velhice. Com o decorrer da vida escolar descobre-se que a “nossa língua”, não é formada apenas por nomenclaturas: Morfologia…com os seus Substantivos, Adjetivos, Verbos e Advérbios… Agora sim, vem a parte mais assustadora: Sintaxe. Orações subordinadas, Complementos nominais e blá blá blá! O brasileiro começa a achar que é mais fácil aprender Física Quântica do que falar Português.

   Todavia, vocês hão de concordar comigo que NINGUÉM se comunica da seguinte forma:

   a)Você está comendo uma pizza com os seus amigos, até que alguém da mesa fala:

– Richard! Passa aí a maionese! Ei vocês todos da mesa: “Richard” é o SUJEITO da frase. “Passa”  é VERBO pertencente a 1ª conjugação e “maionese”é SUBSTANTIVO. Podem voltar a comer.

  b)Você está brigando com uma pessoa “X” e solta:

-“Não quero que fiques triste”! O que acabei de falar foi uma Oração substantiva objetiva direta. Pode voltar a chorar…

   O que quero dizer é, nem que essa mesa fosse composta por estudantes de Letras, na sua totalidade, isso não aconteceria. A língua anseia pela praticidade. O que existe, são regras para organizar o idioma, fazendo com que uma pessoa que more na Bahia compreenda outra que mora no Sul do Brasil. Assim como o dicionário, a Gramática nada mais é do que um instrumento de consulta. Por toda parte, somos encharcados com programas de tv, colunas em Revistas e Jornais que trazem dúvidas recorrentes em relação a língua, mas não se sabe até onde isso ajuda ou atrapalha as pessoas. Consigo enxergar pelo menos, que o brasileiro está cada dia mais inibido em colocar suas idéias, sentimentos e opiniões no papel. Sempre haverá a dúvida: “Esta construção está correta”?(Hein Pasquale?).

   As regras, nomes e toda aquela coisa que aprendemos na escola em boa parte não corresponde à língua que realmente falamos no nosso país. Por isso repetimos com frequência que “o português é difícil”. Esses conceitos e regras no final das contas não significam nada para nós. A língua não está embalada numa caixa hermeticamente fechada. Pelo contrário…ela é dinâmica. Dominar ortografia não está relacionado com saber a língua. É hora de aprender a respeitar a variedade lingüística de toda e qualquer pessoa.

   “A função do educador é dar voz ao outro, encorajá-lo a manifestar-se”, disse Marcos Bagno, e eu, acato!

   Portanto Meus Queridos: ESCREVAM(excrevaum, iscrevão, issicrevau…hehehe)… Os sentimentos que brotam das palavras são mais válidos do que a maneira como elas virão escritas! Cometem e critiquem, sem medo!